Do patrimônio histórico ao audiovisual, Niterói investe em Cultura para diversificar a economia

A ideia é preparar a cidade para o futuro

Atualizado em 25/05/2026 às 16:05, por Ellen Paes.

Do patrimônio histórico ao audiovisual, Niterói investe em Cultura para diversificar a economia

Cada  real investido no audiovisual retorna em pelo menos três reais para a economia e assim a Prefeitura de Niterói ajuda a preparar a cidade para o futuro – quando não haverá mais royalties. Ao lembrar da finitude do petróleo e de suas compensações, o  secretário de Economia Criativa e Ações Estratégicas de Niterói, André Diniz, chama atenção para a relevância dos investimentos realizados pela Prefeitura em economia criativa e na valorização do patrimônio histórico. Os investimentos ajudam a mudar a matriz econômica niteroiense.  

Em entrevista concedida ao Nossa Guanabara, André Diniz explicou que sua  secretaria está desenvolvendo estes dois eixos defendidos por Rodrigo Neves: o setor audiovisual, concentrado neste momento principalmente no recente lançamento do programa Niterói Audiovisual (NaV) e a revitalização de pontos culturais relevantes, como a  da Casa Norival de Freitas, que hoje emprega 70 pessoas, movimentando o comércio local. 
  
“Investimos mais de R$ 200 milhões em patrimônio histórico em pontos como a Casa Norival de Freitas, o Casarão do Fonseca, a Cantareira, o Cinema Icaraí, e a Ilha da Boa Viagem. Isso gera emprego, fortalece a identidade da cidade, atrai turismo e fomenta toda uma cadeia produtiva”, disse. O Casarão do Fonseca foi inaugurado como o Centro Cultural Cauby Peixoto no dia 22 de novembro de 2025, data do aniversário de Niterói. O espaço restaurado, o primeiro equipamento público cultural da Zona Norte da cidade, abriga um teatro com 240 lugares, salas para exposições e ensaios, e espaços dedicados à memória do cantor Cauby Peixoto. A Ilha da Boa Viagem também já foi entregue e é um dos maiores motivos de orgulho do secretário. Já a Cantareira, tem previsão para o primeiro semestre de 2026 e o Cinema Icaraí, segundo semestre de 2026. Diniz reforça que o prefeito quer preparar Niterói para o futuro, usando a Inovação e a Economia Criativa, para não depender apenas dessa matriz. Os aportes no patrimônio histórico, por sua vez, resgatam a memória, a identidade e fortalecem o turismo, outra atividade econômica relevante para geração de renda.

O outro eixo é o setor audiovisual, concentrado neste momento principalmente no recente lançamento do programa Niterói Audiovisual (NaV), que aconteceu - não por acaso - no Dia do Cinema Brasileiro (19/6). “Lançamos junto com ele a Film Commission de Niterói, que organiza filmagens na cidade, seja de publicidade, filmes ou documentários. Isso traz produções, movimenta hotéis, restaurantes, transporte e gera empregos locais. Só para citar exemplos: a Sabrina Sato filmou seu reality (Minha Mãe com Seu Pai - Globoplay) na cidade, movimentando milhões; e a série Arcanjo Renegado contratou cerca de 400 figurantes locais”, ressaltou. 

André Diniz concede entrevista ao Nossa Guanabara na sede da Prefeitura de Niterói. Repórter: Ellen Paes. Foto: Clara Lorenzi

Uma outra novidade vinda também com o programa é o Cash Rebate. Uma estratégia de financiamento para atração de produções nacionais e internacionais. Por ele, é feito um reembolso parcial de gastos para produções filmadas em Niterói.“Além disso, tem o lançamento de um edital em parceria com a Ancine, na ordem de 30 a 35 milhões de reais”. Segundo ele, todos os programas darão prioridade a projetos e empreendedores de Niterói, mas não exclusivamente. “Isso gera maior circulação de pessoas, aumenta o ISS e favorece diretamente os moradores. Muitos profissionais hoje atravessam para o Rio em busca de oportunidades, mas com esses programas terão mais chances em Niterói.” O NAV tem 12 ações estratégicas, entre as quais, destacam-se ainda: o lançamento do primeiro Museu do Cinema Brasileiro, que vai funcionar no espaço Reserva Cultural, com um investimento da ordem de R$ 40 milhões e previsão de lançamento no último ano de governo; a restauração e reabertura do Cinema Icaraí como um equipamento cultural de exibição integrado ao circuito audiovisual da cidade, com um investimento de R$ 60 milhões; e a reestruturação da Niterói Film Commission, que amplia o apoio logístico e a desburocratização de trâmites para filmagens na cidade. Essa última, com um investimento previsto de R$ 300 mil por ano. 

 

A diretora e montadora audiovisual Paula Neto elogia o programa e as ações da Prefeitura especialmente no audiovisual. Ela pondera, contudo que é preciso estender as condições de fomento para todos, pois os acessos, segundo ela, permanecem desiguais. “O cenário da Economia Criativa em Niterói, especialmente no audiovisual, apresenta um potencial significativo, mas ainda não é plenamente acessível para todos. Profissionais das periferias, por exemplo, enfrentam barreiras  para produzir, circular e conquistar espaço. Pensando de forma democrática, o audiovisual pode ser uma ferramenta poderosa de geração de renda, emprego e fortalecimento da identidade cultural. Porém, é essencial que as políticas públicas e os investimentos contemplem não apenas grupos já consolidados, mas também territórios marginalizados, onde talentos existem, mas raramente encontram condições para se desenvolver”, avalia a especialista.