Cidades falham na comunicação e só avisam da gravidade após ventos de 105km/h
Posto de gasolina caiu na região oceânica de Niterói após rajadas de vento que chegaram a 105km/h no Rio de Janeiro. Reprodução de Redes Sociais
Apesar dos rastros destruidores da véspera, no Sul do País, o tufão de 130 km/h que se deslocou previsivelmente para o Sudeste quente não foi suficiente para que as autoridades alertassem seus habitantes. Ventos de até 105km/h no Galeão e de 92 km/h na Ponte Rio-Niterói resultaram do choque da frente fria do Sul com a massa de ar quente. Nas redes sociais, foi generalizada a queixa de falta de informação, inclusive de pessoas que costumam receber sms da Defesa Civil. Pessoas que podiam ter ficado em casa em vez de se arriscar nas ruas, nas travessias da Baía de Guanabara, da ponte Rio-Niterói, por exemplo.
Nesta reportagem vamos focar em Niterói, porque é onde estamos sediados. A Prefeitura investiu R$ 2 bilhões em resiliência, considerando contenções e sistemas de alarmes.

De fato o município nunca mais experimentou tragédias como as que assolaram comunidades do Morro do Bumba, Garganta, Cachoeira, Caixa Dagua, Grota, entre outras, nas chuvas destruidoras de 2010, que deixaram centenas de mortos.
Mas nesta quarta-feira a enxurrada de niteroienses reclamando de falta de informação pela Defesa Civil se soma à ausência de notícias que alertassem sobre a gravidade real das rajadas de vento.
“Alertas misteriosos da Defesa Civil”, diz um internauta. “Quem recebeu esse SMS?”, contesta outro.
Tanto que catamarãs e barcas funcionavam normalmente (e um dos links de vídeos que reunimos abaixo mostra o terror dos passageiros).
Um informe da Defesa Civil disparado pela manhã por aplicativo anunciava ventos moderados a fortes. Somente após a tempestade, por volta de 17h30, a classificação Estágio de Alerta aparece no Instagram do órgão.
Os poucos sites da cidade visitados por esta reportagem que informaram sobre as condições climáticas também não davam conta do perigo. Como o estágio inicial pressupunha rotina e pouca gravidade, a população não foi mobilizada a tempo para se proteger de um cenário de crise urbana.

O prefeito Rodrigo Neves comunicou nas redes sociais que às 10h o sistema da Defesa Civil emitiu alarmes por aplicativo. Segundo eles são 30 mil cadastrados pelo aplicativo. A população de Niterói supera 500 mil habitantes.
Não há registros de mortes nem feridos graves, mas as cenas foram assustadoras. Posto de gasolina caído na Região Oceânica, caixa d'água voando, bicicleta viando, idoso sendo derrubado enquanto atravessava rua em Icaraí e uma lha pegando fogo na frente de Camboinhas.
No Iate Clube Brasileiro, barcos se chocam no posto de abastecimento da marina. Na praia de Icaraí, um idoso é empurrado pelo vento e cai ao atravessar a rua, enquanto uma bicicleta voa na mesma cena.Algumas das imagens que reunimos abaixo a partir de links de posts de terceiros nas redes sociais:





