Marina Silva em Niterói: operação de guerra para 61% de redução no desmatamento da Mata Atlântica

Prefeito e autoridades locais receberam ex-ministra em ato de apoio às políticas ambientais do governo Lula

Atualizado em 21/10/2026 às 19:19, por Edição de Sabrina Lorenzi.

Marina Silva em Niterói: operação de guerra para 61% de redução no desmatamento da Mata Atlântica

Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou no país 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora

A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva esteve em Niterói nesta quarta, em um ato de apoio à continuidade da defesa do meio ambiente e da sustentabilidade no País. Ela afirmou que a redução de 61% no desmatamento da Mata Atlântica deste ano em relação a 2022 é uma verdadeira operação de guerra. A ambientalista também chamou atenção para reduções em outros biomas.
 

“Fomos nós, no governo Lula, que fizemos e implementamos o plano de prevenção e controle do desmatamento da Amazônia, e agora é para a Caatinga, para o Pantanal, para o Cerrado e para a Mata Atlântica. Sabe quanto caiu o desmatamento na Mata Atlântica? 61%. Isso é uma operação de guerra, mas a boa nova é que é possível integrar economia e ecologia numa mesma equação". 

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, entre 2023 e 2026, o Ibama realizou no país 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão.

Enquanto isso, o ICMBio lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, e mais de 5 mil termos de embargo, que somam mais de 5 mil km² de área embargada.

“Ao lado de Marina, reafirmamos nosso compromisso com a proteção da Amazônia, da Mata Atlântica e da nossa biodiversidade. Seguimos juntos por um Brasil soberano que cuida da natureza, combate as desigualdades e cria oportunidades para todos, e para evitar o risco de retrocessos ambientais, sociais e democráticos em nosso país”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves, presente na ocasião.

O projeto Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia (FortFisc), do Ibama, foi aprovado pelo Fundo Amazônia com R$ 825,7 milhões. O apoio se destina a fiscalização remota, sistemas, equipamentos, meios aéreos e gestão. Em setembro de 2025, o Ibama nomeou 460 novos servidores, 330 deles analistas ambientais.

“Nós fazemos manejo florestal e concessões florestais para gerar emprego e renda sem destruir a floresta. Nós, no governo do presidente Lula, criamos os instrumentos econômicos”, afirmou, citando o Fundo Clima e o Fundo Floresta Tropical. 

A estratégia federal de prevenção e controle do desmatamento combina monitoramento por satélite, fiscalização, ordenamento territorial e fomento a atividades produtivas sustentáveis, com instrumentos normativos e econômicos voltados à conservação e ao uso sustentável da vegetação nativa.
 

“Fazer a restauração e criar o Parque Alfredo Sirkis é tecnologia, é ciência, é recurso, gera emprego, renda e qualidade de vida para as pessoas”, disse ela, em visita ao parque da lagoa de Piratininga.

Clima extremo X Guerras

A estratégia federal de prevenção e controle do desmatamento combina monitoramento por satélite, fiscalização, ordenamento territorial e fomento a atividades produtivas sustentáveis, com instrumentos normativos e econômicos voltados à conservação e ao uso sustentável da vegetação nativa.
 

Lembrando que o desmatamento no Brasil é o maior vetor de emissão de CO2: 53% das emissões vêm do desmatamento.  por isso, segundo Marina, é tão importante enfrentar a principal causa das mudanças climáticas. 

“Uma hora é chuva demais, outra hora é chuva de menos. Uma hora vento de mais, outra hora vento de menos. O mundo já vive sob os efeitos das mudanças do clima”. 

Ela lembrou que as mudanças climáticas matam muito mais pessoas que as guerras. As ondas de calor matam cerca de 500 mil por ano, quase o dobro do que exterminam as guerras.

“Só que diferente de uma guerra em que você vê os mísseis, os drones derrubando os prédios, os hospitais, as universidades, ceifando a vida das pessoas, a mudança do clima é algo silencioso e é subnotificado. Por exemplo quando uma criança que morre por desidratação por causa de uma onda de calor severa, a maioria não faz a correlação. Um idoso que tem um AVC, a maioria dos médicos não faz a correlação”.